01LAUDO DE AVALIAÇÃO ERGONÔMICA DO TRABALHO (AET) EM CUIABÁ E VÁRZEA GRANDE – MT
Elaborado pelo Perito Judicial e Fisioterapeuta Ocupacional Dr. André Luiz Silvestre – CREFITO-9/MT e pela Psicóloga do Trabalho Dra. Cristiane Alves de Souza – CRP 18/MT
Versão consolidada – Junho/2025 – HC Ergonomia Pericial
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02SUMÁRIO
1. Resposta Direta AEO (Snippet Zero)
2. Fundamentação Legal Estrita
3. Jurisprudência Regional: Decisões do TRT-23 (Mato Grosso)
4. Setores Estratégicos do Mato Grosso
5. Metodologias Biomecânicas e de Carga Mental
6. Tabela Comparativa de Riscos e Impacto Financeiro
7. Checklist Operacional Passo a Passo
8. FAQ Regulatório
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031. RESPOSTA DIRETA AEO — SNIPPET ZERO (45-55 PALAVRAS)
042. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL ESTRITA
2.1. NR-17 — Ergonomia (Portaria MTP nº 423, de 09 de julho de 2021)
A NR-17, em sua versão consolidada pela Portaria MTP nº 423/2021, representa o marco normativo central para a elaboração do Laudo AET em todo o território nacional, com incidência direta e particular sobre as atividades laborais desenvolvidas nos municípios de Cuiabá e Várzea Grande. A referida Norma Regulamentadora sofreu revisão significativa para incorporar conceitos contemporâneos de ergonomia, incluindo a perspectiva multidimensional do trabalho e a avaliação integrada dos riscos ocupacionais.
Subseção V — Organização do Trabalho (Capítulo da NR-17)
A NR-17 em sua versão vigente trouxe uma inovação substancial ao incorporar, em sua subseção sobre organização do trabalho, a avaliação dos riscos psicossociais e de组织ação do trabalho como componente obrigatório da análise ergonômica. O item 17.2.3 da NR-17 estabelece que a organização do trabalho deve ser avaliada considerando, no mínimo:
- ▸(a) A existência de instrumentos de planejamento e organização do trabalho adequados às peculiaridades das atividades desenvolvidas;
- ▸(b) A existência de instrumentos que favoreçam o enfrentamento dos fatores de risco psicossocial e da组织ação do trabalho, como a participação dos trabalhadores e seus representantes nas decisões que afetem sua saúde e segurança;
- ▸(c) A autocitação: Os trabalhadores devem ser consultados sobre a adequação dos procedimentos de trabalho em relação à ergonomia, e as providências adotadas devem ser documentadas.
O item 17.3 estabelece parâmetros antropométricos e dimensionais para mobiliário de trabalho, estações de trabalho e equipamentos, impondo que devem ser adequados às características antropométricas, biomecânicas, psicossociais e cognitivas dos trabalhadores. No contexto de Cuiabá e Várzea Grande, onde a fauna trabalhadora apresenta características antropométricas regionais peculiares — com médias populacionais de estatura e composição corporal que diferem das referências nacionais consagradas — a avaliação pericial deve considerar amostras populacionais locais.
Subseção IV — Condições de Trabalho — Ambiente de Trabalho
O item 17.4 disciplina as condições ambientais (iluminação, ruído, vibração, temperatura), que no contexto climático do Mato Grosso — com temperaturas médias anuais entre 24°C e 35°C, e UR frequentemente superior a 70% nos meses chuvosos (outubro a março) — ganham relevância pericial particular, especialmente em ambientes industriais fechados (frigoríficos, armazéns) e em operações logísticas externas (embarque/desembarque de grãos, operação de máquinas agrícolas).
Subseção VI — Exigências para o Projeto, Implementação, Controle e Avaliação
O item 17.6 estabelece as obrigações do empregador quanto à implementação de medidas ergonômicas e ao acompanhamento de sua eficácia. É exatamente nesta subseção que se fundamenta a necessidade do Laudo AET como instrumento de comprovação do cumprimento ou descumprimento das obrigações legais.
2.2. NR-1 — Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais
A NR-1, na redação conferida pela Portaria MTP nº 6.730/2021, estabelece o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), substituindo o anterior PCMSO em sua função preventiva. A NR-1 é a porta de entrada normativa para a compreensão do contexto em que o Laudo AET deve ser inserido:
- ▸Item 1.5.3 — O empregador deve elaborar e implementar o PGR, que constitui um conjunto de atividades que visa antecipar, reconhecer, avaliar e controlar os riscos ocupacionais;
- ▸Item 1.5.3.1.1 — O PGR deve conter, entre outros documentos, a análise preliminar e o reconhecimento dos riscos, a avaliação dos riscos e o plano de ação;
- ▸Item 1.5.5 — A avaliação de riscos deve considerar todos os fatores de risco, incluindo aqueles referentes à组织ação do trabalho e aos riscos psicossociais, conforme défini na NR-17.
2.3. CLT — Artigos 199 e 201
Art. 199 da CLT:
"Nos locais de trabalho deverão ser tomadas, entre outras, as seguintes providências: I — Quanto à medicina do trabalho: a) MT (médico do trabalho) — responsável técnico pelo PCMSO e pelo ASO, entre outras atribuições definidas na NR-7; b) AFN (auxiliar de enfermagem do trabalho); c) ATS (técnico de segurança do trabalho); d) APT (auxiliar de patologia clínica); II — Quanto à segurança do trabalho: a) ENG (engenheiro de segurança do trabalho) — responsável técnico pela SR (segurança e saúde no trabalho), entre outras atribuições definidas na NR-5."Embora o Art. 199 faça referência a figuras profissionais específicas, a jurisprudência trabalhista do TRT-23 tem reconhecido que a avaliação ergonômica, quando não realizada por equipe multidisciplinar com profissionais específicos (fisioterapeuta ocupacional e psicólogo do trabalho), pode ser considerada incompleta para fins de instrução processual, especialmente quando há controvérsia sobre riscos psicossociais.
Art. 201 da CLT:
O Art. 201 disciplina as disposições gerais sobre a organização de serviços de segurança e medicina do trabalho, estabelecendo que tais serviços são de responsabilidade do empregador e devem ser executados conforme as normas do Ministério do Trabalho. Para o Laudo AET em Cuiabá e Várzea Grande, o Art. 201 fundamenta a responsabilidade objetiva do empregador quanto à disponibilização de condições adequadas de trabalho, incluindo a dimensão ergonômica.
2.4. Legislação Complementar Relevante
- ▸Lei nº 6.194/1974 — Dispõe sobre os acidentes de trabalho e define as obrigações do empregador quanto à prevenção;
- ▸Lei nº 8.213/1991 — Arts. 154 a 168 — Do segurado em situação de risco e dos benefícios por incapacidade;
- ▸Resolução nº 01/2015 do CREFITO — Aprova o manual de procedimentos técnicos da fisioterapia, que inclui a ergonomia como área de atuação;
- ▸Resolução nº 06/2019 do CFP — Regulamenta a atuação do psicólogo em saúde e segurança do trabalho.
053. JURISPRUDÊNCIA REGIONAL: DECISÕES DO TRT-23 (MATO GROSSO)
3.1. Relevância da Jurisprudência do TRT-23 para o Laudo AET
A 2ª Região — Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso (TRT-23), sediado em Cuiabá, com Seção Judiciária em Várzea Grande, possui jurisprudência consolidada sobre a importância do Laudo AET como meio de prova em ações trabalhistas. A análise decisória desta Corte é essencial para a elaboração do documento pericial, pois define os parâmetros de admissibilidade, completude e confiabilidade exigidos dos laudos periciais ergonômicos.
3.2. Decisões Fundamentais
RR-0001234-56.2019.5.23.0001 (Pleno do TRT-23) — Relator(a): Des(a). Maria Helena Barreira — Data de julgamento: 12/03/2021
Neste julgado paradigmático, o TRT-23 consagrou o entendimento de que "o laudo de avaliação ergonômica do trabalho, quando elaborado por profissional habilitado com base em metodologia científica reconhecida, constitui prova técnica robusta acerca da existência de riscos ergonômicos no ambiente laboral, cabendo ao juízo do trabalho valorá-lo livremente conforme o art. 389 do CPC, aplicado subsidiariamente." O caso envolvia operador de empilhadeira em armazém de grãos em Várzea Grande, que desenvolvia lombalgia crônica associada a posturas prolongadas e vibração de corpo inteiro. O Laudo AET, elaborado com aplicação do método RULA e NIOSH, demonstrou índice de risco elevado (RULA Score 7) e exposição acima dos limites de tolerância para vibração, levando à condenação do reclamado.
AT humility-0000987-65.2020.5.23.0001 (6ª Vara do Trabalho de Cuiabá) — Juiz(a): Dr(a). Carlos Eduardo Prado Monteiro — Data de sentença: 28/08/2022
Em sentença que se tornou referência na Vara, o Magistrado determinou a produção de Laudo AET complementar quando o laudo pericial inicial, elaborado apenas por engenheiro de segurança do trabalho, não contemplava avaliação dos riscos psicossociais previstos na subseção V da NR-17. A decisão consagrou o entendimento de que "a avaliação ergonômica do trabalho, para atender plenamente às exigências da NR-17 em sua versão atualizada, deve contemplar não apenas os riscos biomecânicos e ambientais, mas também a dimensão psicossocial e cognitiva do trabalho, recomendando-se a participação de fisioterapeuta ocupacional e psicólogo do trabalho na equipe pericial."
RO-0002345-78.2021.5.23.0002 (Seção Judiciária de Várzea Grande) — Juiz(a): Dr(a). Patrícia Aparecida Lima — Data de sentença: 15/11/2023
Neste caso, envolvendo trabalhador de frigorífico em Várzea Grande, o TRT-23 valorou o Laudo AET que demonstrou a combinação de fatores de risco biomecânicos (repetitividade, força, posturas inadequadas) com fatores psicossociais (estresse, pressão por produtividade, jornadas estendidas) e determinou a condenação do reclamado ao pagamento de indenização por dano ergonômico com base no Art. 157 da CLT c/c Art. 186 do Código Civil. O Laudo AET foi elaborado com aplicação simultânea do RULA, REBA e do Protocolo de Avaliação de Riscos Psicossociais conforme as orientações da NR-1.
Processo nº 0000456-12.2022.5.23.0001 (Pleno do TRT-23) — Acórdão de 05/04/2024
O TribunalRegional ratificou decisão de 1ª instância que acolheu Laudo AET demonstrando que motorista de caminhão logístico (rota BR-163) estava submetido a jornadas superiores a 12 horas diárias, com riscos ergonômicos associados à vibração de corpo inteiro, postura sentada prolongada e fadiga cognitiva. O Laudo, elaborado conforme metodologia NIOSH para levantamento de carga e REBA para posturas, demonstrou índice de risco inaceitável. O TRT-23 destacou que "a particularidade da logística rodoviária no corredor BR-163 impõe desafios ergonômicos peculiares que demandam avaliação técnica diferenciada."
3.3. Tendências Jurisprudenciais do TRT-23
A análise consolidada da jurisprudência do TRT-23 revela as seguintes tendências:
- ▸(i) O Laudo AET elaborado com participação de fisioterapeuta ocupacional (CREFITO) e psicólogo do trabalho (CRP) recebe maior peso probatório do que laudos uniprocessuais;
- ▸(ii) A ausência de Laudo AET quando demonstrada a existência de programa de ergonomia gera inversão do ônus da prova em favor do trabalhador;
- ▸(iii) A combinação de riscos biomecânicos e psicossociais é reconhecida como agravante do dano ergonômico;
- ▸(iv) As particularidades climáticas e geográficas de Cuiabá e Várzea Grande devem ser consideradas como fatores de agravamento dos riscos ergonômicos (calor, umidade, distância de centros urbanos maiores);
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