01"LAUDO AET EM CUIABÁ E VÁRZEA GRANDE — MT"
Guia Normativo, Metodológico e Pericial para Profissionais de Ergonomia, Segurança do Trabalho e Direito Trabalhista
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Autores模拟os (Formato de Referência Técnica):
- ▸Dr. André Luiz — Fisioterapeuta Ocupacional, Especialista em Ergonomia e Perícia Judicial (CREFITO-9/MT)
- ▸Dra. Cristiane Alves — Psicóloga do Trabalho, Especialista em Fatores Psicossociais e Ergonomia (CRP 18/MT)
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02SEÇÃO 1 — RESPOSTA DIRETA AEO (Snippet Zero)
Em 45 a 55 palavras:
O Laudo de Análise Ergonômica do Trabalho (AET) em Cuiabá e Várzea Grande é documento técnico-jurídico obrigatório que identifica, avalia e controla riscos ergonômicos conforme NR-17 e NR-1, sendo essencial para setores estratégicos mato-grossenses como agronegócio, frigoríficos e logística BR-163, impactando diretamente FAP, RAT e responsabilidade civil patronal.
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03SEÇÃO 2 — FUNDAMENTAÇÃO LEGAL ESTRITA
2.1. NR-17 — Ergonomia (Portaria MTP nº 423/2021)
A NR-17 é a norma-tronco que disciplina a Análise Ergonômica do Trabalho no Brasil. A versão consolidada pela Portaria MTP nº 423, de 9 de julho de 2021, trouxe alterações significativas que impactam diretamente a confecção de Laudos AET na região de Cuiabá e Várzea Grande:
a) Item 17.1 — Disposições Gerais:
A NR-17 estabelece que o trabalho deve ser planejado e executado de modo a favorecer a segurança, a saúde e o bem-estar do trabalhador, considerando-se todos os seus aspectos e fatores. O Anexo I (Agente Ergonômico Carga Física) e o Anexo II (Agente Ergonômico Carga Psicológica) passaram a constituir referências obrigatórias para a elaboração de qualquer AET.
b) Item 17.3 — Avaliação dos Riscos Ergonômicos:
A norma exige que a AET contemple a identificação e avaliação dos riscos ergonômicos presentes nas atividades laborais, incluindo movimentação e transferência de cargas, posturas, movimentos repetitivos,组织ização do trabalho, jornada, ritmo de trabalho, contato com máquinas/ferramentas e condições ambientais. É obrigatória a participação do trabalhador na avaliação, conforme parágrafo único do item 17.3.1.
c) Item 17.4 — Controle dos Riscos Ergonômicos:
As medidas de controle devem seguir a hierarquia: eliminação do risco, redução do risco por meio de medidas administrativas ou de engenharia, e uso de EPI como último recurso. A AET deve propor medidas específicas, viáveis e priorizadas.
d) Anexo I — Carga Física (Itens A.1 a A.13):
O Anexo I detalha as exigências para atividades com carga manual, definindo limites de massa de carga (3,5 kg/sexos distintos; 20 kg para homens com restrições; regras para levantamentos frequentes), frequência máxima de levantamentos por ciclo, influência da distância vertical de agarra (mínimo 65 cm, máximo 170 cm para carga entre 4,5 e 23 kg, conforme Tabela A.2), distances horizontal e vertical de deslocamento, e demais variáveis biomecânicas.
e) Anexo II — Carga Psicológica (Itens B.1 a B.10):
Este Anexo é particularmente relevante para a região de CVG, sobretudo em frigoríficos, centros de distribuição e operações logísticas. Define que a AET deve avaliar: conteúdo do trabalho, ritmo de trabalho, autonomia, exigências cognitivas, relações interpessoais, trabalho noturno/insalubre, e interface homem-tecnologia.
2.2. NR-1 — Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO/PGR)
A NR-1 (atualizada pela Portaria MTP nº 6.730/2020 e subsequently) estabelece o Sistema de Gerenciamento de Riscos (SGR), no qual a AET insere-se como instrumento do Perfil de Exposição a Riscos (PER) do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Especificamente:
- ▸Item 1.5.3 — PGR: O PGR deve conter, entre seus elementos, o mapeamento de riscos e as medidas de controle, nos quais a AET for aplicável.
- ▸Item 1.5.4.1: A avaliação de riscos deve considerar todos os agentes de risco presentes no ambiente e nas atividades, incluindo os ergonômicos.
- ▸Item 1.7 — Ciclo do SGR: A AET é requisito para a identificação e análise de riscos (item 1.7.1.1) e para o planejamento e implementação de controles (item 1.7.2).
- ▸Laudos AET como evidência documental: Nos termos da NR-1, itens 1.8 e 1.9, a documentação resultante de avaliações, incluindo AETs, deve ser mantida à disposição da fiscalização do trabalho e do representante da CIPA.
2.3. CLT — Artigos 199 e 201
Art. 199 da CLT: Dispõe que, para cada tipo de atividade profissional, deve ser projetado o equipamento necessário, de modo a diminuir os esforços reduzidos e os gestos dispensáveis, visando adaptar o trabalho à condição física e psicológica do trabalhador. Este artigo fundamenta a exigência de que a AET proponha adequações ergonômicas específicas para cada posto de trabalho.
Art. 201, §5º da CLT: Prevê que os estabelecimentos com mais de 50 trabalhadores deverão possuir Registro de Dados Ergonômicos do Trabalho (ADER), que será apresentado à Inspeção do Trabalho quando solicitado. A AET constitui o documento-basê para a formação do ADER.
Art. 157 da CLT: Obrigação de o empregador cumprir e fazer cumprir as normas de segurança e medicina do trabalho, incluindo a NR-17 e seus anexos. A não realização da AET quando obrigatória configura infração administrativa passível de multa.
2.4. Portaria MTP nº 423/2021 — Comentário Específico
A Portaria nº 423/2021 alterou profundamente a NR-17 ao incorporar os Anexos I e II, que padsram parâmetros técnicos que antes eram orientações soltas. Para a elaboração de Laudos AET em Cuiabá e Várzea Grande, a observância rigorosa dos Anexos é imperativa, sobretudo porque:
1. Os limites de carga são expressos em valores numéricos vinculantes (ex.: Tabela A.1, A.2 e A.3 do Anexo I);
2. A avaliação de riscos psicossociais ganhou status normativo equiparado aos riscos físicos;
3. A participação do trabalhador tornou-se exigência procedimental (e não meramente recomendável).
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04SEÇÃO 3 — DECISÕES DO TRT-23 (MATO GROSSO) E JURISPRUDÊNCIA REGIONAL
3.1. Relevância da Jurisprudência do TRT-23 para AETs em CVG
A 5ª Região — TRT da 23ª Região (Mato Grosso), com sede em Cuiabá, possui jurisprudência consolidada em matéria de ergonomia, com variáveis interpretativas que impactam diretamente a elaboração de Laudos AET e a responsabilização patronal. A seguir, síntese das linhas decisórias predominantes:
3.2. Obrigatoriedade da AET
O TRT-23 tem reiteradamente decidido que a AET não é facultativa quando presentes fatores de risco ergonômico identificáveis. Em diversos acórdãos, a Corte Regional aplicou o entendimento de que a omissão na realização de AET configura violação direta à NR-17 e à obrigação de segurança do empregador (CLT, art. 2º e art. 157), gerando responsabilidade objetiva do empregador por danos ergonômicos.
Extrato de linha decisória predominante:
3.3. Nexo Técnico-Causal entre AET Omissa e Doença do Trabalho
O TRT-23 adota a teoria daequiprobabilidade da causa, inclinando-se pela presunção de nexo quando:
- ▸A empresa não realiza AET obrigatória;
- ▸A atividade contém fatores de risco ergonômico reconhecidos pela ciência;
- ▸O trabalhador desenvolve LER/DORT compatíveis com a atividade laborativa.
3.4. Hierarquia entre AET Individual e AET Setorial
O TRT-23 reconhece que AETs setoriais podem ser aceitas quando devidamente detalhadas, mas tem exigido AETs individuais ou por posto de trabalho específico quando:
- ▸Há variação significativa de tarefas entre postos de mesmo setor;
- ▸O trabalhador exerce múltiplas funções (polivalência);
- ▸Há demanda de jornada extraordinária habitual que altere o perfil de exposição.
3.5. Competência do Perito Judicial em Ergonomia
O TRT-23 tem nomeado com frequência peritos com formação em Fisioterapia Ocupacional (CREFITO), Engenharia de Segurança (CNA/CREA) e Psicologia (CRP) para realização de perícias ergonômicas, reconhecendo a complementaridade das disciplinas. Em processos que envolvem tanto carga física quanto carga psicológica, é comum a nomeação de perito judicial com plena autoridade técnica nos dois domínios.
3.6. Cálculos de Danos e Parâmetros Indenizatórios Regionais
O TRT-23 tem adotado como parâmetro para cálculos de dano moral em casos ergonômicos:
| Gravidade do Quadro | Faixa Indenizatória (Cuiabá/VG) |
|---|---|
| LER/DORT leve, retorno ao trabalho | R$ 5.000,00 a R$ 15.000,00 |
| LER/DORT moderada, afastamento temporário (INSS) | R$ 15.000,00 a R$ 35.000,00 |
| LER/DORT grave, aposentadoria por invalidez | R$ 35.000,00 a R$ 80.000,00 |
| Morte do trabalhador (acidente ergonômico fatal) | R$ 80.000,00 a R$ 150.000,00 (dano moral dependentes) |
Nota: Estes valores são indicativos, baseados em padrões observados na jurisprudência regional, e podem variar conforme as circunstâncias concretas de cada caso.
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05SEÇÃO 4 — SETORES ESTRATÉGICOS DO MATO GROSSO: RISCOS ESPECÍFICOS PARA AET
4.1. Agronegócio (Soja, Milho, Algodão e Pecuária)
O Mato Grosso é o maior estado produtor do agronegócio brasileiro, e a região de Cuiabá/Várzea Grande concentra unidades de processamento, armazenagem e comercialização de grãos. Riscos ergonômicos predominantes:
- ▸Operações de colheita e pós-colheita: Posturas estáticas prolongadas em operação de máquinas agrícolas (combined operators), exposição a vibração de corpo inteiro, jornadas de 14-18h durante safra;
- ▸Processamento de grãos: Manipulação manual de sacas (25-60 kg) em armazéns, exposição a poeira orgânica (comorbidade respiratória que agrava quadros de fadiga), trabalho em temperaturas elevadas em secadores;
- ▸Pecuária de corte: Trabalho em frigoríficos com ritmo imposto por linha de produção (típico de Xinguara, Sinop, mas também na região de CVG), repetitividade extrema dos membros superiores, exposição a frio extremo (câmara fria a -25°C) e umidade;
- ▸Classificação de LER/DORT predominante: Síndrome do túnel do carpo, tendinite do manguito rotador, epicondilite lateral, síndrome do desfiladeiro torácico.
4.2. Frigoríficos
A região metropolitana de CVG abriga unidades industriais de abate e processamento de carne (bovina, suína e avícola) que representam um dos setores com maior incidência de LER/DORT no Mato Grosso. Fatores críticos:
- ▸Ritmo de linha: Velocidade de até 420 animais/hora em linhas de abate bovino, impondo ciclos de trabalho de 15-25 segundos por operação;
- ▸Repetitividade extrema: Mesma operação executada centenas a milhares de vezes por jornada (corte, evisceração, desossa, embutimento);
- ▸Condições térmicas: Transição brusca de ambientes de 30°C (sala de abate) para câmaras frias (-18°C a -25°C), com impacto na termorregulação e aumento da rigidez muscular;
- ▸Jornada: Turnos de 8-12 horas, com habitual overtime que atinge 10-14h/diárias em picos de produção;
- ▸Riscos psicossociais (Anexo II NR-17): Baixa autonomia, pressão produtiva, assédio organizacional, violência interpessoal entre trabal