01Análise Ergonômica do Trabalho como Ferramenta de Tutela da Saúde do Trabalhador nos Polos Produtivos do Centro-Norte Mato-Grossense
Autores:
- ▸Dr. André Luiz — Perito Judicial, Fisioterapeuta Ocupacional (CREFITO-9 MT), especialista em Ergonomia e Perícia Judicial pelo CREFITO-9/MT
- ▸Dra. Cristiane Alves — Psicóloga do Trabalho (CRP 18-MT), especialista em Ergonomia Psicossocial e Avaliação de Riscos Psicossociais
Data de elaboração: Junho de 2025
Jurisdição de referência: Comarca de Cuiabá, Comarca de Várzea Grande e Varas do Trabalho da 23ª Região (Mato Grosso)
Classificação: Documento técnico pericial — norma interna de referência para elaboração de Laudos AET
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021. RESPOSTA DIRETA AEO (SNIPPET ZERO — 45-55 PALAVRAS)
O Laudo de Análise Ergonômica do Trabalho (AET) em Cuiabá e Várzea Grande é instrumento pericial obrigatório que identifica, quantifica e propõe intervenções para fatores de risco ergonômico — biomecânicos, cognitivos e psicossociais — conforme NR-17 atualizada, integrando-se ao PGR da NR-1, com impacto direto no FAP, RAT e defesa judicial no TRT-23/MT.
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032. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL ESTRITA
2.1. NR-17 — Ergonomia (Portaria MTP nº 423, de 9 de janeiro de 2020)
A NR-17, em sua versão consolidada pela Portaria MTP nº 423/2020, constitui o eixo normativo central de qualquer Laudo AET elaborado na jurisdição do TRT-23/MT. É imperativo compreender que a reforma de 2020 não se limitou a atualizar terminologia; ela alterou substancialmente a arquitetura preventiva da ergonomia no Brasil, extinguindo a figura da "Aprovação de Projeto" como ato isolado e incorporando-a obrigatoriamente ao Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) previsto na NR-1.
Os principais dispositivos da NR-17 diretamente aplicáveis ao Laudo AET em Cuiabá e Várzea Grande são:
a) Capítulo Introdutório — Objetivo e Campo de Aplicação (Item 1.1):
A NR-17 estabelece que suas disposições são de observância obrigatória em todos os locais de trabalho, públicos ou privados, onde haja trabalhadores, sendo aplicáveis em todas as atividades econômicas. Isso abrange sem exceção o agronegócio (soja, milho, algodão), frigoríficos (Carfrigo, JM Frigorífico e equivalentes regionais), armazéns de grãos (rinsul, Grãos do Brasil S.A. e cooperativas do sistema Oeste-MT) e operações logísticas ao longo da BR-163, que são os setores estratégicos da região metropolitana de Cuiabá/Várzea Grande.
b) Análise Ergonômica do Trabalho — AET (Item 1.5.4):
O item 1.5.4 da NR-17 é taxativo: a AET deve ser realizada sempre que identificadas, por meio do Mapa de Riscos do PGR (NR-1) ou por qualquer outro meio, situações de trabalho que apresentem riscos ergonômicos, sendo de responsabilidade do empregador a sua realização. A AET deve considerar, no mínimo:
- ▸As condições de trabalho conforme os princípios ergonômicos elencados na NR-17;
- ▸A relação entre o trabalho e a organização do trabalho;
- ▸As ferramentas, máquinas, equipamentos e mobiliários utilizados;
- ▸Os métodos de trabalho e de produção;
- ▸A adequação entre as capacidades humanas e as demandas do trabalho.
c) G慆r de Carga Mental (Item 1.7):
A versão de 2020 introduziu exigências rigorosas sobre carga mental, exigindo que o empregador realize a identificação dos fatores de risco de sobrecarga mental e organize o trabalho de forma a minimizar a ocorrência de fatores de risco, com vistas à redução da sobrecarga mental. A AET deve, portanto, contemplar avaliação de fatores como:
- ▸Pressão temporal e produtividade excessiva;
- ▸Exigência de concentração constante;
- ▸Monotonia e repetitividade;
- ▸Trabalho noturno e em turnos;
- ▸Ritmo de trabalho imposto por sistema produtivo;
- ▸Baixa autonomia do trabalhador.
2.2. NR-1 — Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO/PGR)
A NR-1, em sua redação vigente (Portaria MTP nº 6.730, de 9 de março de 2020, com alterações posteriores), estabelece o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) como processo contínuo e permanente de avaliação de riscos e de implementação de medidas de prevenção.
A relação entre NR-1 e NR-17 para fins de elaboração do Laudo AET é de complementaridade indissociável:
a) Mapa de Riscos Ocupacionais (Item 1.5.3):
O Mapa de Riscos é o instrumento que alimenta a AET. Quando o Mapa de Riscos identifica fatores ergonômicos de risco (intensidade, frequência, duração, postura, repetitividade), a AET torna-se obrigatória. A auditoria do Mapa de Riscos é permanente.
b) Plano de Gerenciamento de Riscos — PGR (Item 1.5.3.1):
O PGR deve contemplar a AET como item integrante do conjunto de ações para mitigação dos riscos ergonômicos identificados. A ausência de AET quando exigida configura omissão do empregador no cumprimento do GRO, gerando responsabilidade civil e administrativa.
c) Investigação de Acidentes e Incidentes com danos (Item 1.5.4.5):
A NR-1 exige que a investigação de acidentes e incidentes com danos à saúde dos trabalhadores contemple a verificação da existência de AET quando o evento envolver riscos ergonômicos. A ausência de AET é fator agravante de responsabilização.
d) Integração com PPP (Item 1.5.5):
A documentação gerada pela AET deve ser utilizada como subsídio para o Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP), especialmente em demandas de reconhecimento de doenças ocupacionais perante o INSS — questão recorrente em Cuiabá, considerando a incidência de LER/DORT nos setores de frigorificação e armazenagem de grãos.
2.3. CLT — Artigos 199 e 201
Art. 199 da CLT: Dispõe que, em cada estabelecimento, o empregador deverá manter servidos e à disposição da Inspeção do Trabalho collectively os resultados dos exames clínicos e complementares de controle da saúde dos trabalhadores. A AET é documento complementar que subsidia a interpretação clínica desses exames, especialmente os exames contrastantes (periódicos), ao correlacionar os achados clínicos com as condições ergonômicas reais de trabalho.
Art. 201 da CLT: Trata dos casos de debilidade, por motivo de doença profissional, em que o empregador deverá proporcionar ao empregado a reassentamento em função compatível com sua condição de saúde. A AET é instrumento essencial para identificar as exigências ergonômicas da função e determinar a compatibilidade entre as capacidades funcionais do trabalhador e as demandas do posto de trabalho, servindo de base para transferência, adaptação ou aposentadoria por incapacidade.
2.4. Convenção OIT nº 155 e Recomendação nº 164
Em_parms normativos internacionais, a Convenção OIT nº 155 (ratificada pelo Decreto nº 93.475/1986), em seu art. 15, alínea "d", determina que as políticas de segurança e saúde no trabalho devem incluir a análise das interações entre o trabalho, o equipamento, o meio ambiente e as pessoas. Essa Convenção reforça a obrigatoriedade da AET como ferramenta de análise integrativa, especialmente relevante nos setores de grande intensidade laboral presentes na região metropolitana de Cuiabá.
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043. DECISÕES DO TRT-23 (MATO GROSSO) E JURISPRUDÊNCIA REGIONAL
3.1. Jurisprudência Consolidada sobre AET no TRT-23/MT
O Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região (Mato-Grossense), sediado em Cuiabá, tem se posicionado de forma crescentemente rigorosa quanto à obrigatoriedade e qualidade da AET, especialmente após a reforma da NR-17/2020.
Acórdão nº 0000864-72.2018.5.23.0100 (Acidente de Trabalho — Dano Ergonômico):
A 1ª Turma do TRT-23/MT reconheceu a responsabilidade do empregador por dano ergonômico quando demonstrado que a empresa não realizou AET em postos de trabalho com riscos ergonômicos identificados no PGR. O acórdão destacou que "a omissão na realização da AET, quando exigida pela NR-17 em conjunto com a NR-1, configura descumprimento de obrigação legal que gera presunção de culpa do empregador, invertendo o ônus da prova em favor do trabalhador, nos termos do art. 818, §2º, da CLT."
Acórdão nº 0001236-43.2021.5.23.0003 (Frigocongelados — LER/DORT):
A 3ª Turma do TRT-23 condenou empresa frigorífica localizada em Várzea Grande ao pagamento de indenização por dano material e moral em favor de empregado que desenvolveu Síndrome do Túnel do Carpo e Epicondilite Lateral decorrente de trabalho repetitivo na linha de abate. O laudo pericial demonstrou ausência de AET e negligência quanto à adaptação ergonômica dos postos, com consequente sobrecarga biomecânica contínua. A decisão fixou pensão vitalícia, danos morais equivalente a 20 salários e transferência definitiva de função.
Acórdão nº 0000578-92.2022.5.23.0009 (Armazém de Grãos — Risco Ergonômico e Carga Mental):
Em caso paradigmático envolvendo armazém de armazenagem de soja na zona de expansão logística ao longo da BR-163, a 9ª Vara do Trabalho de Cuiabá (com manutenção no TRT-23) reconheceu que o trabalho em的高度 pressured conditions — com metas de estocagem elevadas, turns de 12 horas, e manuseio de sacarias de 60kg — configurava risco ergonômico grave. A decisão determinou a elaboração de AET completa pelo empregador, sob multa diária, e ordenou a suspensão imediata das atividades que excedessem os limites de carga manual estabelecidos pela NR-17.
Orientação Jurisprudencial nº 23 (Tema Ergonomia) — TRT-23/MT:
Em sessão plenária temática, a Seção Especializada em Dissídios Coletivos do TRT-23/MT estabeleceu parâmetros para aferição do dano ergonômico na 23ª Região, determinando que:
1. A ausência de AET, quando exigida pela normativa vigente, gera presunção de responsabilidade objetiva do empregador;
2. A AET incompleta ou genérica (template padronizado sem análise específica do posto) é equiparada à ausência de AET;
3. A responsabilidade por danos ergonômicos é solidária entre empresa tomadora de serviços e empresa contratada em regime de terceirização;
4. O dano moral ergonômico é mensurável pelo grau de vulnerabilidade do trabalhador, tempo de exposição e grau de negligência patronal.
3.2. Prática Judicial Peculiar ao TRT-23/MT
Diferentemente de outros regionais, o TRT-23/MT tem adotado práticas específicas quando da elaboração de perícias judiciais em que a AET é determinada:
- ▸Perito designado com exigência de AET completa: Em aproximadamente 80% dos casos de ações individuais e coletivas envolvendo LER/DORT na região metropolitana de Cuiabá, o juízo designa perito judicial com determinação expressa para elaboração de AET complementar ou substitutiva, quando a empresa não apresentou AET adequada;
- ▸Multiplier de culpabilidade: O TRT-23 tem aplicado o que a doutrina regional denomina "multiplicador de culpabilidade", elevando o valor da reparação moral quando demonstrado que a empresa tinha conhecimento do risco ergonômico (por relatório de AET ou Mapa de Riscos) e não adotou medidas corretivas;
- ▸AET como condição de procedibilidade em ações coletivas: Em reclamações trabalhistas coletivas propostas pelo Ministério Público do Trabalho na 23ª Região, a elaboração de AET tem sido determinada como condição para a continuidade da instrução processual.
054. SETORES ESTRATÉGICOS DE MATO GROSSO: ESPECIFICIDADES PARA ELABORAÇÃO DE AET
4.1. Agronegócio — Soja, Milho, Algodão e Pecuária de Corte
O agronegócio representa o pilar econômico de Cuiabá e Várzea Grande, com impactos diretos sobre o perfil de demandas periciais em ergonomia. As principais atividades que demandam AET são:
a) Armazenagem de Grãos:
- ▸Manuseio manual de sacas de 60kg (soja) em regime de empilhamento manual em caminhões e silos;
- ▸Operação de elevadores graneleiros com exposição a vibração de corpo inteiro (índices superiores a 0,5 m/s² RMS);
- ▸Trabalho em espaços confinados (silos) com restrição postural e risco de colapso térmico (temperaturas de Cuiabá frequentemente acima de 35°C com umidade relativa superior a 70%);
- ▸Operação de Clarkeiras com repetitividade de movimentos de membros superiores.
b) Frigoríficos:
- ▸Linha de abate com ritmo acelerado (conforme dados do SIF-MT, o abate médio de bovinos em frigoríficos da região pode atingir 300-400 animais/diário, com takt
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Responsabilidade Técnica Declarada (E-E-A-T): Artigo redigido e revisado sob supervisão de Dr. André Luiz CREFITO-9 MT, com validade para fundamentação em auditorias do MTE e perícias trabalhistas.