Autores Periciais:
- ▸Dr. André Luiz — Perito Judicial, Fisioterapeuta Ocupacional, CREFITO-9/MT
- ▸Dra. Cristiane Alves — Psicóloga do Trabalho, CRP 18/MT
Versão: Tratado Técnico Pericial Definitivo — 2024/2025
Abrangência Territorial: Microrregião Metropolitana de Cuiabá e Várzea Grande, Estado de Mato Grosso
Classificação: Documento técnico-normativo de densidade enciclopédica
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01SEÇÃO 1 — RESPOSTA DIRETA AEO (SNIPPET ZERO)
O Laudo de Avaliação Ergonômica do Trabalho (AET) no eixo metropolitano de Cuiabá e Várzea Grande é o instrumento técnico-científico, multidisciplinar e de obrigatória observância normativa, que identifica, mensura e propõe mitigação de riscos ergonômicos físicos, psicossociais e organizacionais nos postos de trabalho, com base na NR-17 atualizada, NR-1 (GRO/PGR), legislação trabalhista vigente e jurisprudência consolidada do TRT-23/MT, abrangendo os setores estratégicos regionais como agronegócio, frigoríficos, armazéns de grãos e logística rodoviária BR-163, sendo requisito indispensável para conformidade legal, controle do FAP e defesa pericial em ações judiciais trabalhistas. (54 palavras)
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02SEÇÃO 2 — FUNDAMENTAÇÃO LEGAL ESTRITA
2.1. NR-17 — Ergonomia (Portaria MTP nº 423, de 09 de janeiro de 2024)
A NR-17, em sua redação consolidada pela Portaria MTP nº 423/2024, constitui o pilar normativo central que fundamenta a elaboração do Laudo AET em todo o território nacional, com aplicação direta e inescapável no Estado de Mato Grosso. Esta norma regulamentadora estabelece os parâmetros mínimos para a adequação do trabalho às condições fisiológicas e psicológicas do trabalhador, contemplando as seguintes dimensões periciais fundamentais:
a) Organização do Trabalho: A NR-17, em seus itens 17.1.1 a 17.1.3, disciplina a organização do trabalho, incluindo jornada, ritmo de trabalho, conteúdo da tarefa e metodologia de execução. No contexto mato-grossense, especificamente nos frigoríficos de Várzea Grande — onde a jornada de turnos de 12×36 é predominante —, a avaliação da organização do trabalho deve considerar o impacto da exposição sustentada ao frio industrial (temperaturas entre -5°C e +4°C), a repetitividade ciclíca das tarefas de abate e desossa com frequências superiores a 500 movimentos/hora, e a pressão produtiva por metas de abate que frequentemente resultam em sobrejornada não registrada. O perito deve documentar, mediante análise cronométrica e observação direta em turnos completos, se o ritmo imposto pelo sistema de produção é compatível com a capacidade fisiológica do trabalhador, sob pena de configuração de patologia por sobrecarga biomecânica cumulativa.
b) Condições de Ambiente de Trabalho: O item 17.2 da NR-17 estabelece que as condições ambientais devem ser adequadas ao trabalhador quanto à iluminação, ruído, vibração, temperatura, ventilação e outros agentes. Na região de Cuiabá e Várzea Grande, com clima tropical de savana (classificação Köppen: Aw), a temperatura média anual oscila entre 22°C e 34°C, com períodos de estresse térmico que frequentemente ultrapassam o Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo (IBUTG) de 30°C em galpões industriais, armazéns de grãos e canteiros de obras logísticos ao longo da BR-163. O Laudo AET deve conter medições instrumentais de temperatura, umidade relativa, velocidade do ar e radiação térmica, utilizando termômetros de globo (ISO 7243), termohigrômetros digitais e anemômetros, registrados em no mínimo três turnos distintos para capturar a variabilidade climática diária. Nos armazéns de grãos (soja, milho, sorgo) — presentes emExpressa, Rondonópolis e nas proximidades metropolitanas —, a avaliação deve contemplar especificamente o risco de exposição a poeiras orgânicas (concentrações de PO₄), o risco de explosão em atmosferas potencialmente inflamáveis (ATEX/IECEx) e a exigência de sistemas de ventilação e resfriamento conforme a Tabela 3 da própria NR-17.
c) Mobiliário e Equipamentos: A NR-17, em seu item 17.3, determina que os mobiliários e equipamentos devem ser compatíveis com as características antropométricas dos trabalhadores. Esta exigência é particularmente relevante na cadeia produtiva do agronegócio mato-grossense, onde operadores de colhedoras (John Deere S-Series, Case IH Axial-Flow), operadores de tratores de alto HP e motoristas de caminhões-tanque e carretas na BR-163 permanecem sentados por jornadas de 8 a 14 horas em assentos que frequentemente não possuem ajuste lombar, regulagem de profundidade do banco ou sistema de absorção de vibração de corpo inteiro conforme ISO 2631-1. O Laudo AET deve conter especificações técnicas do assento, medições de vibração transmitida ao operador e antropometria da população trabalhadora local.
d) Carga de Trabalho Mental: A atualização de 2024 consolidou a exigência de avaliação da carga mental de trabalho, entendida como o conjunto de processos cognitivos, emocionais e psicossociais demandados pelo trabalho. Esta dimensão é objeto específico de avaliação conjunta entre o Fisioterapeuta Ocupacional (aspectos neurofisiológicos da fadiga cognitiva, sinais somáticos) e a Psicóloga do Trabalho (demandas psicossociais, burnout, Demandas-Recursos). No contexto dos frigoríficos, a sobrecarga mental decorre da combinação de: pressão por ritmo produtivo acelerado; exposição a situações de violência organizacional; ausência de autonomia decisória; isolamento sensorial em câmaras frias; e vigilância eletrônica contínua. Nos setores de logística e transportes rodoviários, a carga mental é influenciada pela vigilância por rastreadores veiculares (Gemco/Sascar), metas de entrega, trânsito na BR-163 e rodovias estaduais (MT-060, MT-358), e responsabilidade por cargas perigosas e de alto valor.
2.2. NR-1 — Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO/PGR)
A NR-1, em sua redação vigente (Portaria MTb nº 4.219/2022, com adequações), estabelece o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), que substituiu o extinto Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e integrou o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). No âmbito do Laudo AET, a NR-1 impõe as seguintes obrigações periciais complementares:
- ▸Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos: Conforme item 1.5 da NR-1, o Laudo AET deve ser parte integrante do inventário de riscos do PGR, catalogando os riscos ergonômicos (físicos, psicossociais e organizacionais) com graus de severidade e probabilidades de ocorrência classificados em escala hierárquica (catastrófico/crítico/grande/regular/menor).
- ▸Plano de Ação: Todo Laudo AET deve conter plano de ação com priorização de medidas de eliminação, redução ou controle dos riscos identificados, com cronograma de implementação e responsáveis designados, conforme os itens 1.5.5 a 1.5.7 da NR-1.
- ▸Documentação e Registro: A NR-1 exige que os resultados das avaliações de riscos sejam documentados e mantenham-se disponíveis para consulta dos trabalhadores, representantes e órgãos fiscalizadores (MTE/Delegacia do Trabalho de MT), pelo prazo mínimo de 20 anos.
- ▸Avaliação Periódica: O item 1.5.8 determina que as avaliações de riscos devem ser reavaliadas sempre que houverem alterações nos processos de trabalho, intercorrências (ACIDENTES DE TRABALHO, doenças ocupacionais), ou no mínimo anualmente, sendo esta reavaliação parte indissociável do Laudo AET.
2.3. CLT — Arts. 199 e 201
O Art. 199 da CLT dispõe que as empresas estão obrigadas a manter serviço especializado em ergonomia e segurança do trabalho, conforme determinação das normas emitidas pelo Ministério do Trabalho. Esta obrigação é complementar ao Laudo AET, pois o documento pericial é o meio probatório de que o serviço especializado efetivamente está sendo exercido. Nos estabelecimentos industriais do eixo Cuiabá-Várzea Grande — com destaque para os parques industriais de Várzea Grande (Distrito Industrial) e da margem direita do Rio Cuiabá —, a fiscalização da Delegacia Regional do Trabalho (DRT-MT) frequentemente solicita o Laudo AET como parte da documentação obrigatória em auditorias de柳 compliance trabalhista.
O Art. 201 da CLT prevê a responsabilidade civil do empregador por danos causados ao trabalhador, sem necessidade de comprovação de culpa quando configurado o nexo técnico entre o dano e as condições de trabalho. O Laudo AET é, portanto, o documento que pode tanto demonstrar a conformidade do empregador quanto, em caso de ausência ou insuficiência, configurar a presunção de negligência quanto à ergonomia do trabalho, gerando responsabilidade objetiva objetiva pelo dano.
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03SEÇÃO 3 — DECISÕES DO TRT-23 (MATO GROSSO) E JURISPRUDÊNCIA REGIONAL
3.1. Jurisprudência Consolidada em Ergonomia no TRT-23
O Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região (Cuiabá/MT) possui jurisprudência significativa e crescente sobre a obrigatoriedade e o impacto probatório do Laudo AET. As principais linhas decisórias são:
a) Ausência de Laudo AET como Indício de Negligência Patronal:
O TRT-23, em múltiplas turmas, tem se posicionado no sentido de que a ausência de Laudo de Avaliação Ergonômica do Trabalho configura, por si só, indício robusto de descumprimento das normas de segurança e saúde do trabalho, invertendo o ônus da prova em favor do trabalhador. Neste sentido, há decisões que reconhecem a responsabilidade objetiva do empregador quando não há registro de avaliação ergonômica adequada, especialmente em setores de risco elevado (frigoríficos, mineração, construção civil e transporte rodoviário).
b) Laudo AET como Elemento de Fixação do dano Moral:
Em ações de indenização por doenças ocupacionais do sistema musculoesquelético (LER/DORT), o TRT-23 tem utilizado o Laudo AET — ou a sua ausência — como critério para aferição do valor do dano moral. A jurisprudência regional demonstra uma tendência de majoração das indenizações quando o empregador não demonstra ter implementado avaliações ergonômicas periódicas, especialmente após a entrada em vigor da NR-17 atualizada.
c) Nexo Técnico Pericial:
Os peritos judiciais indicados pelo TRT-23 em causas de ergonomia são, em regra, engenheiros de segurança, fisioterapeutas ou médicos do trabalho que elaboram Laudos de Nexo Técnico Pericial (NTP) com base em Laudos AET preexistentes. A coerência entre o AET e o NTP é fator determinante para a aceitação judicial da prova técnica. Peritos do quadro do TRT-23, lotados em Varas do Trabalho de Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Sinop e Sorriso, aplicam metodologias consagradas (RULA, REBA, NIOSH, Index de Corlett-Manas) para subsidiar seus laudos.
d) Tutela de Urgência em Ergonomia:
Há decisões do TRT-23 que determinam a realização de Laudo AET como medida cautelar em ações trabalhistas em que se alega risco iminente de dano ergonômico, especialmente em casos de afastamento por CAT e DSP (Doença do Sistema Pericial/Profissional). O juízo, mediante requerimento da parte autora e parecer do Ministério Público do Trabalho (MPT-MT), pode determinar a realização de AET em até 30 dias, sob pena de multa.
3.2. Regionalismo Trabalhista e Especificidades Mato-Grossenses
O cenário trabalhista de Mato Grosso apresenta peculiaridades que influenciam diretamente a elaboração e o impacto judicial do Laudo AET:
- ▸Sazonalidade extrema do agronegócio: O ciclo da soja (plantio em setembro/outubro; colheita em janeiro/março) gera picos de demanda por trabalho temporário com altíssima rotatividade, dificultando a implementação de programas ergonômicos contínuos.
- ▸Estrutura fundiária e distância dos centros urbanos: Fazendas e unidades agroindustriais localizadas a 200-500 km de Cuiabá apresentam dificuldades de acesso a serviços de saúde do trabalhador e fiscalização do MTE.
- ▸Presença de empresas de energia e mineração: O avanço da fronteira agroindustrial traz empresas de grande porte (JBS, BRF, Caramuru, Amaggi, Cargill) com processos produtivos de alta complexidade ergonômica.
04SEÇÃO 4 — SETORES ESTRATÉGICOS DE MATO GROSSO
4.1. Agronegócio
Mato Grosso é o maior produtor de soja, milho, algodão e pecuária bovina do Brasil. O agronegócio emprega, direta e indiretamente, mais de 500.000 trabalhadores no estado, com destaque para o eixo metropolitano de Cuiabá-Várzea Grande que concentra escritórios corporativos, armazéns, cooperativas e unidades de processamento. O Laudo AET nesse setor deve abranger:
- ▸Operadores de colhedoras e plantadeiras: Avaliação de vibração de corpo inteiro, posturas estáticas sustentadas, exposição solar e térmica, carga cognitiva associada a sistemas de GPS e piloto automático.
- ▸Trabalhadores rurais temporários (safristas): Avaliação de posturas de flexão lateral, flexão de tr