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AGRONEGÓCIO & CAMPO

Ergonomia no Agronegócio em Mato Grosso: Mapeamento de Riscos e NR-31

Atualizado em 2026-08-087 min de leitura
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A ergonomia no agronegócio de Mato Grosso adapta máquinas, postos, ferramentas, jornadas e organização do trabalho às capacidades dos trabalhadores. A adequação combina NR-17, NR-1, NR-31 e avaliação técnica dos riscos, priorizando prevenção, conforto, segurança e eficiência em fazendas, armazéns, oficinas, transportadoras e agroindústrias, com registros e melhorias verificáveis.

011. Por que a ergonomia é estratégica no agronegócio de MT?

O agronegócio mato-grossense reúne atividades com características muito diferentes: operação de tratores e colheitadeiras, plantio, pulverização, manutenção mecânica, carregamento de sacarias, classificação de grãos, armazenagem, processamento de alimentos, confinamento, pecuária, transporte e trabalho administrativo.

Essa diversidade produz exposições ergonômicas variadas, como:

  • posturas estáticas prolongadas;
  • movimentos repetitivos de membros superiores;
  • levantamento e transporte manual de cargas;
  • empurrar e puxar equipamentos;
  • vibração de corpo inteiro;
  • acesso frequente a escadas, plataformas e carrocerias;
  • trabalho em pé durante longos períodos;
  • pressão por produtividade;
  • jornadas extensas em períodos de plantio e colheita;
  • baixa previsibilidade operacional;
  • pausas insuficientes;
  • temperaturas elevadas;
  • necessidade de atenção contínua em máquinas e veículos.
A ergonomia agronegócio MT não deve ser tratada apenas como aquisição de cadeiras ou instalação de apoios. Ela envolve a análise integrada do trabalhador, da tarefa, das máquinas, do ambiente, do ritmo, da gestão e das condições reais de execução.

Em uma fazenda de Sorriso, por exemplo, os riscos podem estar relacionados ao acesso à cabine, à regulagem do assento, à vibração, à visibilidade dos comandos e ao tempo de permanência sentado. Já em uma agroindústria de Rondonópolis, a prioridade pode envolver repetitividade, força manual, altura de bancadas, movimentação de caixas e organização das pausas.

Por isso, a avaliação precisa ocorrer no local de trabalho e considerar a atividade real, não apenas procedimentos escritos.

022. Quais normas se aplicam?

NR-17 — Ergonomia

A NR-17 estabelece parâmetros para adaptar as condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, buscando proporcionar conforto, segurança, saúde e desempenho eficiente.

A norma aborda, entre outros temas:

  • levantamento, transporte e descarga individual de cargas;
  • mobiliário dos postos de trabalho;
  • máquinas, equipamentos e ferramentas;
  • condições ambientais;
  • organização do trabalho;
  • avaliação das situações de trabalho;
  • medidas de prevenção e adequação.
A NR-17 não determina um único modelo de posto para todas as empresas. A adequação deve resultar da análise das condições específicas de cada atividade.

Quando necessário, a empresa deve realizar a Avaliação Ergonômica Preliminar — AEP — e, conforme a situação, a Análise Ergonômica do Trabalho — AET. A AET é uma análise aprofundada, indicada quando a situação exige investigação mais detalhada ou quando as medidas adotadas não são suficientes.

NR-31 — Segurança e Saúde no Trabalho na Agricultura, Pecuária, Silvicultura, Exploração Florestal e Aquicultura

Para o meio rural, a NR-31 é especialmente relevante. Ela trata das obrigações de segurança e saúde nos setores agrícola, pecuário, florestal, de exploração florestal e aquicultura.

A NR-31 deve ser analisada em conjunto com outras normas aplicáveis. Em temas ergonômicos, a NR-17 fornece parâmetros específicos, enquanto a NR-31 contextualiza a realidade rural e as obrigações de gestão e prevenção nesse ambiente.

Na prática, o programa de gerenciamento de riscos da propriedade ou organização deve considerar fatores ergonômicos presentes em:

  • operações agrícolas;
  • máquinas autopropelidas;
  • oficinas;
  • silos;
  • armazéns;
  • atividades com animais;
  • transporte interno;
  • manutenção;
  • alojamentos e estruturas de apoio;
  • áreas administrativas.

NR-1 — Gerenciamento de Riscos Ocupacionais

A NR-1 estrutura o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais — GRO — e o Programa de Gerenciamento de Riscos — PGR.

Os riscos ergonômicos devem ser reconhecidos, avaliados e controlados dentro do processo de gerenciamento de riscos ocupacionais, considerando a realidade de cada estabelecimento.

A documentação não substitui a prevenção. Um inventário de riscos que menciona genericamente “postura inadequada” sem identificar tarefas, grupos expostos, frequência, duração, consequências e medidas de controle é insuficiente para orientar melhorias efetivas.

A avaliação deve ser coerente com o processo de trabalho e com os demais documentos de saúde e segurança.

eSocial e evento S-2240

O evento S-2240 do eSocial registra condições ambientais do trabalho e exposição a agentes nocivos relacionados à legislação previdenciária, especialmente para fins de informação sobre aposentadoria especial.

É importante não confundir o S-2240 com um formulário geral para comunicar todos os riscos ergonômicos. A presença de risco ergonômico não significa, por si só, que deva ser lançada como agente nocivo no S-2240.

As informações devem ser transmitidas conforme a natureza da exposição, os leiautes vigentes e as orientações oficiais do eSocial. A empresa deve alinhar os dados do eSocial com seus documentos de SST, evitando descrições contraditórias, mas sem inserir informações sem respaldo técnico ou legal.

033. Principais riscos ergonômicos em fazendas

3.1 Operação de tratores e máquinas agrícolas

O operador pode permanecer sentado por várias horas, submetido a:

  • vibração de corpo inteiro;
  • impactos em terrenos irregulares;
  • torção do tronco para visualizar implementos;
  • alcance repetido de comandos;
  • esforço para subir e descer da máquina;
  • exposição ao calor;
  • pressão operacional durante janelas climáticas curtas.
A análise deve verificar o estado do assento, os ajustes disponíveis, o espaço interno, a posição dos pedais, a localização dos comandos, a visibilidade, o acesso e a frequência de mudanças de postura.

Não basta afirmar que a máquina possui banco regulável. É necessário verificar se o ajuste é efetivamente utilizado, se atende à estatura dos trabalhadores e se permanece funcional durante a operação.

3.2 Manutenção e oficinas rurais

Oficinas de fazendas podem apresentar tarefas em posições ajoelhadas, deitadas, inclinadas ou com os braços elevados. Também são comuns:

  • uso de ferramentas manuais;
  • força de preensão;
  • acesso a partes inferiores de máquinas;
  • manipulação de peças pesadas;
  • bancadas inadequadas;
  • iluminação insuficiente;
  • trabalho sob pressão para liberar equipamentos.
As medidas de controle podem incluir bancadas ajustadas à atividade, dispositivos de apoio, carrinhos para transporte, talhas, plataformas, ferramentas adequadas e reorganização do layout.

3.3 Armazéns e silos

A movimentação de sacarias, caixas, peças e componentes pode gerar sobrecarga lombar e nos membros superiores.

A avaliação deve observar:

  • peso e dimensões dos volumes;
  • frequência de movimentação;
  • distância percorrida;
  • altura de retirada e deposição;
  • espaço para circulação;
  • possibilidade de mecanização;
  • necessidade de torção do tronco;
  • ritmo imposto pela operação;
  • existência de rodízio real ou apenas formal.
O rodízio não deve ser utilizado para mascarar uma tarefa excessivamente exigente. Ele precisa reduzir a exposição total e ser acompanhado por treinamento e organização adequada.

3.4 Classificação e processamento de grãos

Em unidades de recebimento e beneficiamento, trabalhadores podem executar tarefas repetitivas, como inspeção visual, seleção, ensaque, paletização e alimentação de linhas.

É preciso examinar:

  • altura dos pontos de abastecimento;
  • velocidade da linha;
  • repetição por minuto;
  • força necessária;
  • alcance horizontal;
  • alternância entre mãos;
  • pausas;
  • variação de tarefas;
  • adequação das ferramentas;
  • manutenção preventiva dos equipamentos.
A simples instalação de uma esteira não garante adequação. Uma esteira muito alta, muito baixa ou com velocidade incompatível pode transferir o problema para ombros, punhos, coluna ou membros inferiores.

3.5 Pecuária e manejo de animais

O manejo de bovinos, suínos, aves e outros animais envolve esforço físico, deslocamentos, posturas forçadas e imprevisibilidade comportamental.

As situações devem ser analisadas considerando:

  • necessidade de contenção;
  • altura e desenho de currais;
  • portões e travas;
  • distância de alcance;
  • esforço para condução;
  • transporte de insumos;
  • limpeza;
  • vacinação;
  • ordenha;
  • manutenção de instalações.
A ergonomia precisa estar integrada à segurança, pois uma mudança de método pode reduzir esforço, mas aumentar risco de acidente se não houver avaliação da interação com os animais.

044. Riscos ergonômicos em agroindústrias

Agroindústrias de Mato Grosso podem atuar no processamento de grãos, carnes, alimentos, biocombustíveis, rações e produtos derivados. Nesses ambientes, destacam-se:

  • repetitividade;
  • força;
  • posturas estáticas;
  • levantamento de cargas;
  • empurrar carrinhos;
  • paletização;
  • trabalho em câmaras frias;
  • pressão temporal;
  • turnos;
  • baixa autonomia;
  • manutenção corretiva emergencial.
A análise deve separar as funções por grupo homogêneo de exposição. Trabalhadores que ocupam o mesmo cargo podem estar expostos de forma diferente, dependendo do turno, do equipamento utilizado e da linha em que atuam.

Uma boa AET deve combinar:

1. observação direta;
2. entrevistas;
3. análise de documentos;
4. registros de afastamentos e queixas;
5. medições ou estimativas técnicas pertinentes;
6. avaliação da organização do trabalho;
7. identificação das causas;
8. definição de medidas;
9. validação com trabalhadores;
10. acompanhamento dos resultados.

055. AEP e AET: qual documento escolher?

A AEP é uma avaliação inicial e sistemática das situações de trabalho. Ela pode ser suficiente quando os riscos são bem compreendidos e as medidas de controle são claras.

A AET é uma análise mais aprofundada. Pode ser necessária quando:

  • há queixas musculoesqueléticas recorrentes;
  • existem afastamentos relacionados ao trabalho;
  • a tarefa combina força, repetição e postura;
  • há divergência entre trabalhadores e gestão;
  • mudanças de processo não resolveram o problema;
  • existe demanda fiscal, judicial ou previdenciária;
  • a atividade é complexa;
  • o risco precisa ser investigado com maior detalhamento.
AspectoAEPAET
FinalidadeReconhecer e avaliar preliminarmente situações de trabalhoAprofundar a investigação ergonômica
AplicaçãoRotinas conhecidas e riscos controláveisSituações complexas, críticas ou persistentes
ProfundidadeInicial e sistemáticaDetalhada e contextualizada
MétodosObservação, entrevistas e análise básicaObservação aprofundada, registros, análise de variabilidade e validação
ResultadoMedidas preventivas iniciaisPlano de adequação mais específico
Relação com o PGRAlimenta o inventário e plano de açãoComplementa o gerenciamento quando necessário
Exemplo ruralAvaliação de posto administrativo da fazendaInvestigação de operação prolongada de colheitadeira ou paletização

A escolha não deve ser baseada apenas no preço ou no tamanho da empresa. O critério principal é a complexidade e a criticidade da situação.

Veja também: o que é AET e AEP versus AET.

066. Como conduzir um projeto de ergonomia

Etapa 1 — Planejamento

Defina:

  • unidades incluídas;
  • fazendas, armazéns ou linhas;
  • funções prioritárias;
  • períodos de maior demanda;
  • responsáveis internos;
  • documentos disponíveis;
  • cronograma de visitas;
  • critérios de acompanhamento.
Em operações sazonais, é recomendável observar períodos críticos, como plantio, colheita, recebimento de grãos e manutenção de entressafra.

Etapa 2 — Levantamento preliminar

Reúna informações sobre:

  • número de trabalhadores;
  • turnos;
  • tarefas;
  • equipamentos;
  • acidentes;
  • afastamentos;
  • queixas;
  • absenteísmo;
  • horas extras;
  • mudanças recentes;
  • treinamentos;
  • medidas já adotadas.
Dados médicos devem ser tratados com confidencialidade e utilizados de forma compatível com a legislação aplicável.

Etapa 3 — Observação da atividade real

O profissional deve acompanhar como o trabalho realmente acontece. Procedimentos escritos podem não refletir:

  • improvisações;
  • atalhos;
  • falta de ferramentas;
  • atrasos de manutenção;
  • metas;
  • diferenças entre turnos;
  • trabalhadores temporários;
  • mudanças climáticas;
  • falhas de abastecimento;
  • urgências da produção.

Etapa 4 — Entrevistas

Os trabalhadores conhecem detalhes que não aparecem em uma inspeção breve. Perguntas úteis incluem:

  • Em que momento surge o desconforto?
  • Qual tarefa exige mais força?
  • O que muda nos dias de maior produção?
  • Quais ferramentas são difíceis de usar?
  • Há tempo suficiente para pausas?
  • O que costuma ser improvisado?
  • O que acontece quando a máquina falha?
  • A tarefa varia entre trabalhadores?

Etapa 5 — Análise dos fatores de risco

A investigação deve considerar a combinação entre:

  • força;
  • frequência;
  • duração;
  • postura;
  • velocidade;
  • recuperação;
  • vibração;
  • ambiente;
  • aspectos cognitivos;
  • organização do trabalho.
Métodos observacionais podem auxiliar, mas não substituem o raciocínio técnico. Um escore isolado não descreve completamente uma atividade agrícola variável.

Etapa 6 — Plano de ação

As medidas devem seguir uma lógica preventiva, priorizando alterações na fonte e no processo. Exemplos:

  • mecanização;
  • redesenho de ferramentas;
  • redução de alcances;
  • adequação de alturas;
  • melhoria de acessos;
  • manutenção de assentos e suspensões;
  • dispositivos de movimentação;
  • reorganização de fluxo;
  • pausas planejadas;
  • capacitação;
  • acompanhamento de eficácia.

077. Hierarquia das medidas de controle

A empresa deve priorizar medidas que reduzam o risco na origem.

Medidas de engenharia

São geralmente mais robustas:

  • elevadores e plataformas;
  • carrinhos;
  • talhas;
  • mesas ajustáveis;
  • melhorias de assentos;
  • controles reposicionados;
  • automação;
  • redução de vibração;
  • adequação de acesso;
  • dispositivos para evitar torção.

Medidas administrativas

Podem incluir:

  • organização de pausas;
  • programação de manutenção;
  • alternância planejada;
  • limitação de permanência;
  • dimensionamento de equipes;
  • treinamento;
  • procedimentos operacionais;
  • comunicação de falhas.
Essas medidas precisam ser viáveis. Uma pausa prevista no papel, mas inviável durante o pico de produção, não controla o risco de forma efetiva.

Equipamentos e acessórios

Luvas, cintos, palmilhas ou outros acessórios não devem ser tratados como solução automática para sobrecarga. Eles podem ter finalidade específica, mas não substituem adequações de máquinas, ferramentas, método e organização.

088. Vibração em máquinas agrícolas

A vibração de corpo inteiro é um tema relevante em tratores, colheitadeiras, caminhões e máquinas de movimentação. A exposição depende de fatores como:

  • tipo de máquina;
  • velocidade;
  • condição do terreno;
  • manutenção;
  • pneu ou sistema de suspensão;
  • regulagem do assento;
  • tempo de operação;
  • postura;
  • direção do movimento.
A empresa deve verificar a condição do equipamento, manter os sistemas de suspensão e realizar avaliação técnica quando necessário. A sensação subjetiva do operador é importante, mas não substitui a avaliação quando há suspeita de exposição relevante.

Além do desconforto, a vibração pode contribuir para fadiga e agravar demandas muscul

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Perguntas Frequentes sobre Ergonomia no Agronegócio em Mato Grosso: Mapeamento de Riscos e NR-31

Como medir a Vibração de Corpo Inteiro (VCI) em tratores e colheitadeiras segundo a NHO-06?+
A avaliação quantitativa de VCI em máquinas agrícolas é realizada com acelerômetro triaxial instalado no assento do operador conforme a NHO-06 da Fundacentro. O Nível de Ação é atingido em aren de 0,5 m/s² ou VDVR de 9,1 m/s^1,75, exigindo laudo pericial com ART CREFITO-9.
Como o estresse térmico por calor extremo em Mato Grosso é tratado na ergonomia de campo?+
Em galpões de sementes, oficinas mecânicas e pátios rurais sob temperaturas de até 44°C, a NR-17 e a NHO-06 exigem monitoramento do índice IBUTG com termômetro de globo, ventilação forçada e regime especial de hidratação para evitar colapsos e autuações do MTE.
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